21.3.05

quixote

Nenhum outro gênero parece ter incorporado de maneira tão visceral aquela paixão crítica, autodevoradora, considerada por Octavio Paz como marca da modernidade, que o romance. Por isso, a afirmativa de que o romance, hoje, está em crise, não deixa de ser uma tautologia: afinal, pode-se objetar que ele sempre esteve em crise, que esta lhe é inerente e que até Dom Quixote, considerado o primeiro romance moderno, seria resultado do abandono progressivo do postulado da unidade da consciência, que provocou a fratura da convenção épica do romance de cavalaria. Em contrapartida, pode-se argumentar que, a cada momento, o romance tem a sua crise específica, ou seja, torna-se crítico e autocrítico em relação a um tipo de romance, que toma como padrão, para desencadear seu movimento reflexivo.Assim, a crise do romance contemporâneo está intimamente ligada ao ceticismo epistemológico de um tempo que levou ao extremo o desencantamento do mundo. Relaciona-se com o niilismo que corroeu as verdades e desacreditou as ideologias, abrindo espaço para um relativismo de valores que pôs em xeque a ética e a estética. A atual crise do romance é conseqüência ainda das mudanças ocorridas na percepção do espaço e do tempo, num momento em que o agir humano não é mais balizado pelos pólos da tradição e da revolução, mas se comprime num eterno aqui e agora: se a modernidade desvalorizou o presente em nome de um sonho futuro, a chamada pós-modernidade tornou o futuro uma categoria obsoleta e fez do passado - a dimensão do tempo que dá origem às narrativas - um arquivo cujos dados são incorporados ao presente, reciclados, através de diferentes processos de "mixagem".Ninguém prenunciou mais esta atmosfera e as mudanças que ela imprimiria à narrativa do que Jorge Luis Borges, a ponto de sua poética, disseminada em escritos ensaísticos e semi-ensaísticos, inspirar uma nova visão da literatura e do lugar que ela veio ocupar nas sociedades modernas em pensadores como Michel Foucault, Jacques Derrida, Umberto Eco, Hans Robert Jauss dentre outros.1 Assim, será o escritor argentino quem, já em 1941, no Prólogo a "O jardim dos caminhos que se bifurcam", afirmará:
Desvarío laborioso y empobrecedor el de componer vastos libros; el de explayar en quinientas páginas una idea cuya perfecta exposición oral cabe en pocos minutos. Mejor procedimiento es simular que esos libros ya existen y ofrecer un resumen, un comentario.2
Seguindo a opção pelo comentário, Borges vai debruçar-se também sobre livros que de fato foram escritos. Dom Quixote, por exemplo, é um tema recorrente nos textos do escritor argentino e, talvez, as considerações que tece sobre o romance digam mais sobre a sua própria literatura do que sobre a de Cervantes. A partir da leitura de Dom Quixote, afirma o fascínio pelo maravilhoso e reitera sua rejeição à causalidade histórica que presidia a literatura realista do século XIX. Nesse sentido, ao dizer que "intimamente Cervantes amava o sobrenatural" está falando sobretudo de si mesmo. Por isso faz questão de ler Dom Quixote não como um antídoto das novelas de cavalaria mas como "uma secreta despedida nostálgica".Borges, partilhando com Cervantes a impossibilidade de transportar-se para os cenários grandiosos de Ariosto, de narrar ingenuamente as aventuras de Simbad, vai elogiar no escritor espanhol a capacidade de recriar o maravilhoso de maneira sutil. Em Dom Quixote, a magia retorna pela porta dos fundos de uma ficção que, tematizando a rendição do herói à força do prosaico, na verdade recupera o mistério pelo viés da estrutura em abismo que desestabiliza as fronteiras entre o real e a ficção e, assim, acaba por consagrar a vitória do herói, a despeito do sentimento de fracasso que dele se apodera ao final da vida. Diz, então, o escritor argentino:

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17.3.05

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